terça-feira, 21 de abril de 2015


As Metas de Aprendizagem TIC

As  TIC ocupam, hoje, um lugar inquestionável, mercê das suas potencialidades, não só a nível da comunicação, mas também da informação, da construção e da partilha do conhecimento.  É neste universo que se enquadram os nossos alunos, os nativos digitais, para quem a escola se mostra  um espaço  de práticas retrogradas e pouco capaz de dialogar com a inovação. Ora, à escola compete preparar os cidadãos para responderem aos desafios do futuro  e encontrarem as estratégias adequadas à aprendizagem,  que se quer constante e ao longo da vida.

Neste quadro, integrar as TIC nas práticas quotidianas da escola é fundamental, no entanto, como afirma Cruz (2009) elas são assumidas superficialmente no currículo, facto expectável dado que, como afirma Felizardo “as alterações produzidas (são) fruto de uma nova visão da aprendizagem que se desloca de uma matriz construtiva para uma visão mais cognitivista da aprendizagem, marca de um retrocesso”.

As metas  de aprendizagem das TIC vêm colmatar a lacuna que o currículo cria, embora não seja esse o seu objetivo, ao consubstanciá-las “numa unidade de formação transversal, da responsabilidade de todas as disciplinas”, numa perspectiva que privilegia “não o ensino das tecnologias, mas a aprendizagem com as tecnologias” (Costa 2010:934).

As metas de aprendizagem TIC têm o grande mérito de se alargarem do pré-escolar até ao final do ensino básico  e de se apresentarem como um Referencial “a considerar por cada professor na sua área especifica, numa ótica de desenvolvimento global do aluno” (DGIDC.2010:1), que ao articular os diferentes planos de trabalho cm as diferentes  áreas de competência confere  clareza, consistência e sentido alargado à sua aplicação.

Como afirma Felizardo, as quatro áreas  que se desenvolvem a nível do segundo plano, informação, produção e segurança, constituem

 “os pilares não apenas da literacia digital,  mas o suporte às restantes literacias, nomeadamente as que são definidas no referencial emanado da RBE Aprender com a     Biblioteca Escolar, a literacia da leitura, literacia dos média e a literacia da informação”.

Esta articulação entre os dois documentos constitui uma mais valia para o trabalho dos professores e requer que as escolas se detenham neles, na procura de novas formas de produção do conhecimento. Na linha da frente da consecução destes objectivos estarão sempre as bibliotecas escolares, pólos de inovação e motores da mudança das práticas.

Como, hoje, a cultura instalada nas escolas se mostra pouco propensa a reflexões conjuntas e a mudanças nos quadros teóricos que enformam as práticas, e como estas não se alteram por decretos, penso que o papel dos professores bibliotecários, junto das estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica e docentes, é de importância vital, não só na divulgação das boas práticas, mas também na mobilização dos professores para o trabalho colaborativo, no  desenvolvimento de todas as literacias e na importância da transversalidade das TIC.

Bibliografia
COSTA e tal. (2010).  I Encontro Internacional TIC e Educação, Inovação Curicular com TIC. Lisboa. Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. (931-936)
CRUZ, E. (2009). Análise da Integração das TIC no Currículo Nacional do Ensino Básico. Dissertação de Mestrado, Universidade de Lisboa, Lisboa.
FELIZARDO, Helena. As metas de aprendizagem na área das TIC no contexto de desenvolvimento das literacias e das competências transversais.

PORTUGAL. Ministério da Educação e Ciência. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares. Portal RBE (2012). Aprender com a biblioteca escolar: enquadramento e conceção. Lisboa: RBE. Disponível em http://www.rbe.mec.pt/np4/697.html