As Metas de
Aprendizagem TIC
As TIC ocupam, hoje, um lugar inquestionável,
mercê das suas potencialidades, não só a nível da comunicação, mas também da
informação, da construção e da partilha do conhecimento. É neste universo que se enquadram os nossos
alunos, os nativos digitais, para quem a escola se mostra um espaço
de práticas retrogradas e pouco capaz de dialogar com a inovação. Ora, à
escola compete preparar os cidadãos para responderem aos desafios do
futuro e encontrarem as estratégias
adequadas à aprendizagem, que se quer
constante e ao longo da vida.
Neste quadro, integrar as TIC nas
práticas quotidianas da escola é fundamental, no entanto, como afirma Cruz
(2009) elas são assumidas superficialmente no currículo, facto expectável dado
que, como afirma Felizardo “as alterações produzidas (são) fruto de uma nova
visão da aprendizagem que se desloca de uma matriz construtiva para uma visão
mais cognitivista da aprendizagem, marca de um retrocesso”.
As metas de aprendizagem das TIC vêm colmatar a lacuna
que o currículo cria, embora não seja esse o seu objetivo, ao consubstanciá-las
“numa unidade de formação transversal, da responsabilidade de todas as
disciplinas”, numa perspectiva que privilegia “não o ensino das tecnologias,
mas a aprendizagem com as
tecnologias” (Costa 2010:934).
As metas de aprendizagem TIC têm
o grande mérito de se alargarem do pré-escolar até ao final do ensino básico e de se apresentarem como um Referencial “a
considerar por cada professor na sua área especifica, numa ótica de
desenvolvimento global do aluno” (DGIDC.2010:1), que ao articular os diferentes
planos de trabalho cm as diferentes
áreas de competência confere
clareza, consistência e sentido alargado à sua aplicação.
Como afirma Felizardo, as quatro
áreas que se desenvolvem a nível do
segundo plano, informação, produção e segurança, constituem
“os pilares não
apenas da literacia digital, mas o
suporte às restantes literacias, nomeadamente
as que são definidas no referencial emanado da RBE Aprender com a Biblioteca
Escolar, a literacia da leitura, literacia dos média e a literacia da
informação”.
Esta articulação entre os dois
documentos constitui uma mais valia para o trabalho dos professores e requer
que as escolas se detenham neles, na procura de novas formas de produção do
conhecimento. Na linha da frente da consecução destes objectivos estarão sempre
as bibliotecas escolares, pólos de inovação e motores da mudança das práticas.
Como, hoje, a cultura instalada
nas escolas se mostra pouco propensa a reflexões conjuntas e a mudanças nos
quadros teóricos que enformam as práticas, e como estas não se alteram por
decretos, penso que o papel dos professores bibliotecários, junto das estruturas
de coordenação educativa e supervisão pedagógica e docentes, é de importância
vital, não só na divulgação das boas práticas, mas também na mobilização dos
professores para o trabalho colaborativo, no desenvolvimento de todas as literacias e na
importância da transversalidade das TIC.
Bibliografia
COSTA
e tal. (2010). I Encontro Internacional TIC e Educação, Inovação
Curicular com TIC. Lisboa. Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.
(931-936)
CRUZ, E. (2009). Análise da Integração das TIC no
Currículo Nacional do Ensino Básico. Dissertação de Mestrado, Universidade de
Lisboa, Lisboa.
FELIZARDO,
Helena. As metas de aprendizagem na área das TIC no contexto de desenvolvimento
das literacias e das competências transversais.
PORTUGAL.
Ministério da Educação e Ciência. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares.
Portal RBE (2012). Aprender com a biblioteca escolar: enquadramento e conceção.
Lisboa: RBE. Disponível em http://www.rbe.mec.pt/np4/697.html


