sábado, 7 de março de 2015


A biblioteca escolar e a web 2.0?

A Biblioteca 2.0, como afirma Maness (2007), constitui  uma comunidade virtual centrada no utilizador, que deixa de consumir exclusivamente conteúdos para passar a produzi-los, editá-los, organizá-los e a classificá-los também. Segundo o mesmo autor, para além desse centramento no utilizador, a biblioteca 2.0 oferece uma experiência multimédia; é socialmente rica, permitindo a comunicação síncrona e assíncrona entre utilizadores e entre estes e o bibliotecário; comunitariamente inovadora, dado  não se limitar a mudar com a comunidade, mas possibilitar que esta a mude.

A Biblioteca Escolar, pela importância que assume na mudança de paradigma educacional , não pode alhear-se das potencialidades oferecidas pela web 2.0, antes deve integrá-las e ampliá-las de forma a tornar mais eficaz o acesso à informação e à construção do conhecimento, factores determinantes  para o sucesso educativo e para a vivência plena da cidadania.

Neste contexto,  é fundamental que a biblioteca se presentifique à medida da necessidade do utilizador e, se é verdade que a biblioteca escolar ainda não responde sincronamente, através de chat, por exemplo,  a um utilizador que se encontra à distância, também é verdade que os professores bibliotecários desenvolvem esforços para acompanhar  as inovações tecnológicas e utilizar os recursos da web 2.0. Hoje, a generalidade das bibliotecas escolares têm páginas no facebook  e no blog, têm uma conta diigo, utilizam o youtube ou mesmo o wiki. Pela minha experiência, enquanto elemento da equipa de uma biblioteca escolar, constato que a utilização destas ferramentas raramente constitui uma oportunidade de  interacção com o utilizador, trata-se quase sempre de uma comunicação unívoca, no sentido do professor bibliotecário para o utilizador.

A biblioteca devia apresentar-se, como afirma Maness (2007), enquanto
um interface de rede social que o utilizador desenha um lugar onde alguém pode não apenas procurar livros e revistas, mas interagir com uma comunidade, com um bibliotecário e compartilhar conhecimento e entendimento com eles (p.49).

Para essa mudança há sempre um conjunto de circunstâncias externas à biblioteca que tendencialmente todos evocam. Acredito que, independentemente da ampliação do uso de ferramentas digitais;  da contribuição para que os imigrantes digitais, os professores, se sintam mais seguros na utilização das novas tecnologias; ou mesmo no envolvimento ativo de todos os atores da comunidade escolar; é crucial  que a biblioteca divulgue as suas boas práticas, pois são estas que, pela sua eficácia comprovada, podem ser o verdadeiro motor da mudança.



Furtado, Cassia Cordeiro. (Jul/Dez 2009). Bibliotecas Escolares e Web 2.0: revisão da literatura sobre o Brasil e Portugal, Em Questão, Porto Alegre, Vol.15, n.º2, 135-150.
Maness, Jack M. (Jan/Abr. 2007). Teoria da Biblioteca 2.0: Web 2.0 e suas implicações para as bibliotecas, Informação & Sociedade, Vol. 17, n.º 1, 43-51

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