A biblioteca escolar e a web 2.0?
A Biblioteca 2.0, como afirma
Maness (2007), constitui uma comunidade
virtual centrada no utilizador, que deixa de consumir exclusivamente conteúdos para passar a produzi-los, editá-los,
organizá-los e a classificá-los
também. Segundo o mesmo autor, para além
desse centramento no utilizador, a biblioteca 2.0 oferece uma experiência multimédia; é
socialmente rica, permitindo a comunicação síncrona e assíncrona entre utilizadores e entre estes e o bibliotecário; comunitariamente inovadora, dado não se limitar a mudar com a comunidade,
mas possibilitar que esta a mude.
A Biblioteca Escolar, pela importância que assume na mudança de paradigma educacional , não pode alhear-se das
potencialidades oferecidas pela web 2.0, antes deve integrá-las
e ampliá-las de forma a tornar mais eficaz o acesso à informação e à construção do conhecimento, factores determinantes
para o sucesso educativo e para a vivência plena da cidadania.
Neste contexto, é fundamental que a
biblioteca se presentifique à medida da necessidade do
utilizador e, se é verdade que a biblioteca escolar
ainda não
responde sincronamente, através de chat, por exemplo, a um utilizador que se encontra à distância, também é
verdade que os professores bibliotecários desenvolvem
esforços
para acompanhar as inovações tecnológicas
e utilizar os recursos da web 2.0. Hoje, a generalidade das bibliotecas
escolares têm páginas no
facebook e no blog, têm
uma conta diigo, utilizam o youtube ou mesmo o wiki. Pela minha experiência, enquanto elemento da equipa de uma biblioteca escolar,
constato que a utilização destas ferramentas raramente constitui uma oportunidade de interacção com o utilizador, trata-se quase sempre
de uma comunicação
unívoca, no sentido do professor bibliotecário para o utilizador.
A biblioteca devia apresentar-se, como
afirma Maness (2007), enquanto
“um interface de rede social que o
utilizador desenha … um lugar onde alguém pode não apenas procurar livros e revistas, mas interagir com uma
comunidade, com um bibliotecário e compartilhar
conhecimento e entendimento com eles” (p.49).
Para essa mudança há
sempre um conjunto de circunstâncias externas à biblioteca que tendencialmente
todos evocam. Acredito que, independentemente da ampliação do uso de ferramentas digitais; da contribuição para que os imigrantes digitais, os
professores, se sintam mais seguros na utilização das novas tecnologias; ou mesmo no
envolvimento ativo de todos os atores da comunidade escolar; é
crucial que a biblioteca divulgue
as suas boas práticas, pois são estas que, pela sua eficácia comprovada, podem ser o verdadeiro motor da mudança.
Furtado, Cassia Cordeiro. (Jul/Dez
2009). Bibliotecas Escolares e Web 2.0: revisão da literatura sobre o Brasil e
Portugal, Em Questão,
Porto Alegre, Vol.15, n.º2, 135-150.
Maness, Jack M. (Jan/Abr. 2007).
Teoria da Biblioteca 2.0: Web 2.0 e suas implicações para as bibliotecas, Informação & Sociedade, Vol. 17, n.º 1, 43-51
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